sábado, 16 de outubro de 2010

Medo Colorido - à Nova York Azul

Não sabe mais o que sente
Nem sabe se é bom, nem se é ruim
Nem se mente
Não sabe se é medo, insegurança, proteção
Raiva, cansaço, ou qualquer coisa, não
A lágrima espessa escorre solitária
E gelada chega à boca
Salgada
E o ódio, o sono, a dor
A confusão, seja lá o que for
Isso, aquilo, assim, tá certo
O caos, o medo, tão perto
Aquele medo quieto, mudo
Aquele medo incerto, surdo
Aquele medo sozinho, cedo
Aquele medo vazio, certo?
Se juntarmos todas as cores
Branco
Se juntarmos todos as dores
Medo
Canto aquele choro vazio, até com bolor
Aquele choro sofrido, que é multicolor
Escrevo que é pra não cravar a dor no peito
Que é para estancar aqui, neste leito.


Escrito em 31/03/2007

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Se achas que podes fazer assim, tudo bem
Cansei de procurar razão no seu desdém
Lembro de quando juramos nunca deixar de saber
"Eu estou aqui pra você"
De algum jeito a emoção acabou, escorreu devagar
Engraçado, mas nossa música continua a tocar
O que te mata é sempre errar
É, cansei de perdoar
Se eu pudesse jurar novamente
Teria feito tudo diferente
Diria eu: "Não juro nada, não posso prever
Afinal, quem errou foi você!"
Agora eu sei que foi o nosso melhor fim
Mas é triste dizer: "Foi melhor assim"
Taí, não chorei, não sofri
Peguei minhas coisas, saí pelo mundo
Tentei deixar recado, o celular ficou mudo
Eu só cansei de entender
Fui embora e não quis nem saber
Vou botar minha saia, ver ela rodar
E no samba vou entrar, sem sofrer, sem penar
Se um dia alguém perguntar
Diga que só cansei de esperar.

domingo, 29 de agosto de 2010

Raspava as unhas na tempa do esmalte. Sentia-se... suja? Não, não é suja a palavra... Podre? Vazia? Despreparada? Não-mulher?
Os pensamentos eram tantos que se cruzavam todo o tempo fazendo um emaranhado tão difícil de explicar... Tão díficil de entender.
As sapatilhas sujas e largadas no chão.
O quarto bagunçado, os livros, os objetos decorativos. E ela sentia que nada era dela de verdade, nada a pertencia, ela não pertencia a nada.
Absolutamente nada.
E ela tentava sempre, sempre, pertecer a tudo que ela achava necessário, modificava a mobília do quarto quase toda semana tentando pertencer àquele espaço. Não era dela. As roupas tampouco. O sorriso, nem se fala.
As unhas malfeitas, as jóias, os documentos.
Nada.
E agora? Estava tão cansada de procurar... De mudar loucamente de vida a cada minuto, nunca estando satisfeita com nada. Por quê? Por que, meu deus, por quê? O que falta?
Sorria ironicamente quando uma palavra tão imbecil vinha a sua cabeça.
Fechou os olhos. Os pés mal apoiados na cadeira...
Nada.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eu olhava os olhos vermelhos pela tela, a voz fraca para não demonstrar. E talvez eu a tenha deixado chateada... Ah mas se eu pudesse, algum dia, conseguir mostrar o que sinto e o que penso sem ser pelas palavras escritas... Quem dera eu pensar no que dizer no momento certo, para pessoa certa. É daí que nascem quase todas as minhas frustações. Eu SEMPRE disse a coisa errada na hora errada para a pessoa errada. Mas por outro lado as pessoas sempre disseram que leram os meus textos no momento certo e que eu disse o que eles queriam ouvir.
Confesso que gosto de ser assim apesar de ter sempre sido um problema. Afinal me sinto artificial sendo eu no dia-a-dia, não conseguindo expressar exatamente o que sinto, do jeito que eu quero mostrar.
No fundo a única coisa que eu quero, e que de uma forma de outra eu espero consguir, é que um dia as pessoas que para mim são mais do que especiais saibam disso de verdade. Com todas as palavras, vírgulas e pontos que meus sentimentos possuem.

Ei, você, eu te amo!Eu te amo mais do que qualquer outra pessoa! Você faz muita muita falta, a cada segundo. E se eu te falo que as outras pessoas são especiais para mim não é para você pensar que não é é por que tenho sede de te contar cada segundo da minha vida. Se você quer que eu seja sincera, eu nunca imaginei o quanto que eu ia sentir falta de você estando comigo de um jeito diferente para TUDO na vida. E se eu pudesse agora inserir um pouquinho de olhar e abraço nas minhas sentenças ficaria ideal para te mostrar que penso em você todo segundo e que você está guardada em mim da forma mais especial que alguém pode estar guardada em alguém. É o nosso laço-diamante, compacto e inquebrável que está dentro de nós.

(E afinal, as nossas brigas são só por que... enfim, nós nos acostumamos a brigar, faz parte da nossa relação, e vai dizer que você também não estava com saudades dos nossos gênios iguais e opostos ao mesmo tempo?)

Eu te amo e não vejo a hora de te abraçar de novo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"Agora aprendi que o mundo dá volta
Quanto mais a gente se solta
Mais fica no mesmo lugar"

Tenho pensado muito isso. Rodo, rodo, rodo. Mesmos problemas, mesmas perguntas, mesmas respostas. No fim, por sorte, aprendi a gostar de mudar.Colecionar pessoas em diferentes partes do mundo não parecia nem de longe uma boa ideia pra mim. Não mesmo. E de certa forma, não é, nunca será. Sei que gosto do desafio de sair por aí procurando-as. "Oi, você parece o suficiente comigo para sermos amigos?" E mesmo que não, você acaba sendo. Você conhece pessoas que você achava que nunca fosse querer olhar na cara. E elas se tornam essenciais. Você conhece outras pessoas que você achava que poderiam ser suas melhores amigas. E estas, te passam para trás. E você começa a sentir que esse processo todo as vezes é chato, cansa. Eu quero ir, eu quero ficar? Minha vida é melhor aqui ou lá? Falta muito tempo... Falta pouco tempo... Para uma pessoa indecisa como eu, ter muitas pessoas em muitos lugares, não é definitivamente uma boa ideia. Não seria. Se eu também não fosse uma pessoa com sede de opiniões para todas as minhas perguntas. Conheço todo tipo de gente. De mais sujo ao mais limpo, do mais sorridente ao mais irritado, do mais boca suja pro mais careta, do mais rico ao mais pobre, do mais "rock" pro mais "sertanejo". E é sim aliviante saber que convivo amo todos estes tipos de pessoa. (Por mais que seja irritante as vezes)É bom ter todos estes tipos de opinião pra minha mesma pergunta. E me construo, então com micro pedacinhos de cada pessoa. Nem sempre eu pego melhor de cada uma... Afinal, não quero, não sou perfeita. E as vezes as melhores partes de cada um irritam...
De qualquer forma, eu vim, eu tentei novamente. Sim, dessa vez (talvez pela primeira de verdade) eu me senti satisfeita com tudo isso. E 3 meses foram mais especiais que 6, foram mais especiais que 12. Só não conseguiram (ainda bem) serem mais especiais que minha vida inteira.




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terça-feira, 6 de julho de 2010

Fecho os olhos e me lembro do primeiro dia que a segurei nos braços, contei uma história e fiz com que ela dormisse em um sono profundo. Lembro da primeira vez que a balancei na rede cantando as minhas canções preferidas. Lembro até das vezes que estas músicas nada mais adiantavam para fazê-la dormir.
Lembro perfeitamente dos seus olhos castanhos escuros e incrvelmente doces e risonhos. E como eu poderia esquecer a última vez que a abrecei no meio de vários ursinhos de pelúcia?
Acontece que as vezes, eu paro de viver e começo a lembrar de tudo. Lembra de todas as milhares de vezes que aquela micro-pessoa me fez sorrir, me deu energia, me fez viver. Me fez ver que a vida não é mais nada além de dormir, brincar, e fazer manha. Me fez lembrar como crescer é extramente gratificante e gostoso.
Então, começo a lembrar de absolutamente tudo. Daqueles que discuti por serem preguiçosos e algumas horas egoístas, mas que ao mesmo tempo guardo junto com muitas risadas na memória... Daquele que eu discutia o tempo todo simplesmente por saber que sou exatamente igual. Daquela que sempre tentou me ensinar a não sofrer, mesmo sendo uma tarefa difícil. Daquela que conseguiu, mesmo com toda a distância, construir um laço de confiança maior do que qualquer outro. Daquela que eu fecho os olhos e lembro das brincadeiras de pequena. Daquela que estava junto comigo em absolutamente todos os momentos. Daquela que era impaciente e forte junto comigo. Daquela que os olhos brilhavam e me faziam ver que vida não passava de um sonho. E até daquele que me ajudou a crescer e a viver melhor. Daqueles que não precisam ser de sangue para serem inesquecíveis e inconfundíveis. Sim, eu sinto falta de todos vocês. Começo a pensar o quanto coleciono pessoas especias nos bolsos. O quanto é difícil de explicar o que cada uma dessas pessoas representa pra mim. São muito mais do que pessoas, muito mais do que família, muito mais do que amigos. São simplesmente todos os pedaços que me fazem ser o que sou hoje. E se estou realmente feliz comigo hoje, eu não posso deixar de agradecer a todos vocês. Eu não posso me dar todo o mérito por ter os valores que tenho, ser do jeito que sou.

Falta um mês, se isso é pouco ou muito, não posso dizer. Só posso dizer que sinto falta de vocês, mesmo estando feliz e sabendo que posso seguir minha vida sozinha.

Beijossaudades.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sabe, é engraçado... Hoje eu, pra variar, estava tomando leite na sala com o Don e com a Lisa (e agora com a Genevieve, a estudante de Quebec) e comecei a perceber... Que estranho! Eu estou no outro hemisfério e a educação dentro de casa continua a mesma. Mentira. Eles são mais diciplinados, as crianças vão pra cama cedo e tudo mais. Mas eles sempre tem as mesmas conversas que eu, meus pais e meus irmãos tinhamos quando eramos pequenos. O mesmo papo sobre Homeless (mendigos), aborto, adoção, educação, segurança...
É incrível! São as mesmas opiniões. Enfim, vou explicar melhor... Estavamos conversando como é engraçado como as escolas de inglês dão os avisos. No formulário de aceitação de Geneviuve tinha um monte de coisa, tipo "Não toque no seu estudante" "Não vá para o quarto dele e nem permita que ele entre no seu" e etc. Primeiro que começamos a rir por que nos abraçamos toda noite e eu deito na cama das crianças pra rezar e dizer boa noite toda noite. Depois eu comentei que eles dizem 8000 vezes para não dar dinheiro aos homeless por que eles recebem dinheiro do governo e esse dinheiro é só pra bebida, dorgas, etc. Começou a discussão. O Don dizendo que não era assim, que eles não tinham capacidade emocional de controlar o dinheiro e que o governo estava agindo errado (será que lembra minha mãe?) E a Genevieve dizendo que de qualquer jeito, dar o dinheiro não é a melhor saída já que eles nunca mais vão querer sair da rua sabendo que ganham bastante por isso (será que lembra o meu pai?) Dessa vez eu não participei tanto da conversa por que estava só analisando os pontos de vista e lembrando da minha família. Mas é impressinante. Você muda de vida, muda de tudo, e as mesmas discussões surgem. Na escola nós sempre discutimos sobre educação e o primeiro ministro de bosta daqui, Obama e bla bla bla ou sobre homeless, ou sobre a legalização da maconha, ou sobre as regras de não beber na rua aqui e etc.! As mesmas coisas! Quando eu notei isso achei tão engraçado...

Falando nisso, o Brasil deveria aprender mesmo... Estava eu, não me lembro por que, explicando o sistema de ensino brasileiro quando eu ouço um: "Wow! This is crazy and sounds stupid" Foi uma menina de 9 anos de idade, sem papas na lingua, chamada Jaydn ou Little teacher, se você preferir. Vulgo, hostsister (caso meu pai esqueça pela milésima vez quem é Jaydn). Gente, isso é ridiculo. Pagar quase 1000 dolares por mês por uma escola é patético. PATETICO. Eu não tenho mais palavras, o que a Jayds disse é exatamente o que eu penso, sem mais.

Acho que é isso. Meia noite...Acho melhor eu dormir.
Amanhã eu tenho que lavar minha roupa, urgente, já tem uma pilha aqui... Ô preguiça!!

Beijos, foi mal pela demora, tenho feito muita coisa!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

E de repente, você percebe que tudo pode estar absolutamente perfeito, que a cidade pode ser linda e você pode estar conhecendo pessoas mais do que especiais, não adianta. Bate uma saudade que é impossível de explicar, bate uma solidão, um aperto, um "Caramba! Eu tô SOZINHA aqui" que não desespera, claro, mas que nos faz ver que a vida não é essa aqui.
A minha, pelo menos, é outra. E eu não consigo dizer em palavras o por quê. Parecia tão perfeito morar aqui pra sempre... Parecia que eu não tinha nada a perder. É seguro, é bonito, é fácil de morar... Mas não é o Brasil. Olha, eu nunca me imaginei sentindo falta de gente na rua, de confusão. Mesmo. Mas eu sinto. Eu sinto falta das ruas apertadas, dos carros passando, do SOL, do calor, dos sorrisos nas ruas, das mais diferentes pessoas, do samba, do maracatu, das mais variadas festas e noites.
Não tem jeito. Brasil, é Brasil, não dá pra explicar por que amamos aquilo lá, mas amamos.
Dói no peito o quanto vou demorar ainda pra ir pra São Paulo quando eu chegar no Brasil, como vou demorar pra ver algumas pessoas especiais de novo.

Que fique claro que não quero, não penso, não vou, antecipar um milésimo da minha viagem. Amo estar aqui, amo tudo que conheci e estou anciosa por tudo que vou conhecer.

Mas que dá saudade... Dá.
Amo vocês, muito muito muito.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

And then, you stop your life and start thinking that things happen, and maybe, have a reason.
How can i stop to live my life and start to live another one? Because i am here to start another real life, and then some amazing people appers, and of course i can't forget the other ones, but i am not really worried about them. When i come back, another real life will be there, maybe just waiting for me, with a lot of problems to think and solve. So, no, i am not concerned about my old life, and yes, i am ready to start another one. Without the people that were not with me when i needed. Because i don't want, neither deserve, this kind of people.

For who cares, and for the people that i love, wait for me, i am sure that my new life will be much better than this one.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

E então as mudanças ocorrem, o tempo passa e o que fica é cada vez mais intenso e puro. O que sou, ou melhor, o que quero ser? Com o passar do tempo vou me achando, me descobrindo, entendo o por quê (ou pelo menos tentando entender) a minha vida aconteceu deste jeito.
De qualquer forma sempre busco entender por quê "mereço" tal virtude ou tal sofrimento e no fi, acho que sempre começo com a palavra errada. Será mesmo merecer a pergunta para chegar a todas as minhas respostas? Talvez as coisas acontecem por acontecer, sem nenhum sentido, critério nem nada.
Prefiro acreditar, por ego mesmo, eu assumo, que tudo que acontece na minha vida depende de mim. Assim fica mais fácil de planejar o futuro, não sofrer tanto com o presente e não lamentar o passado e os erros pensando que eles sempre foram parte do caminho.
A questão é que as contantes mudanças na minha vida muitas vezes me tornaram uma pessoa melhor e segura ou insegura, me ajudaram a descobrir quem sou. E se vim de novo em busca de mudança foi simplesmente por achar que eu "merecia" uma última mudança para finalmente colocar um ponto final nas minhas questões, deixá-las de lado simplesmente por quê eu consegui, finalmente, entender um pouquiiinho de quem eu sou.Até por que descobrir-se e refazer-se é tão profundo e valioso, que sempre merece mais e mais tentativas.
Vim com essa "missão", que obviamente falhou, por que por mais que as coisas estejam sendo perfeitas não estão sendo do jeito que eu imaginava e eu não tenho conseguido mergulhar nas minhas próprias questões e descobrimentos. Talvez seja um jeito da vida dizer pra mim mesma: "Deixa isso quieto, vai viver, quem se importa? Você vai se encontrar no caminho, ou se perder, ou não, tanto faz! Você não pode prever mesmo..." Talvez, seja verdade. E viver será sempre a melhor solução para todos os meus confusos e incoerentes pensamentos.
Mas é que viver, sem razão, sem missão, sem querer se encontrar pra mim é como não viver, não se valorizar, não querer ser algo.
Eu quero ser algo! E não tô exigindo muuito não! Só quero ser algo para que um dia eu olhe para mim mesma, com honestidade,e diga: "Eu já fui, ou sou, alguma coisa!"

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Fala galeeera!!
COMPREI MEU COMPUTADOR, LALALALAAAA
Mas nao pensem que foi facil assim! Na verdade, foi bem dificil. Assim, o ato, foi ridiculamente facil. Eu entrei na loja, falei com o atendente, ele era brasileiro, eu comprei.
A parte dificil? Bom, sei lah, fiquei horas e horas pensando se nao tinha que ter pesquisado melhor, se nao fui muito impulsiva, se eu nao tava gastando muito dinheiro... Sabe como eh, pao dura de verdade. Eu admito agora, estando sozinha e com meu "proprio" dinheiro, o quao pao dura eu sou... Sabe, eu juro que nao queria ser assim. Mas vem. Nao eh medo de acabar, nao eh nada. Mas eh sempre desconfortavel pra mim, gastar dinheiro.
Enfim, no fim das contas, foi sim por impulso, eu teria achado mais baratos se eu tivesse olhado em mais lojas. Mas enfim, jah foi, eu nao posso ficar me culpando mais por isso. Ele continua sendo lindo e pequeneninho... E agora eh windows, eu posso ter um msn decente e esse tipo de coisa. =P Alem de ter onde descarregar as fotos, e falar no skype, e enfim!! Posso ficar quanto tempo eu quiser... Enfim, eh lindo lindo o computador.

Senti uma saudade imensa hoje. Liguei lah pra casa e bom, tinha sido um ato tao duro pra mim, e eu tinha feito tudo absolutamente sozinha, que foi tao bom ouvir meus pais... Deu uma saudade, um aperto, muito dificil de explicar. Sabe, a cidade aqui eh perfeita, nao da vontade de voltar pro Brasil, de verdade. Eh seguro, eh lindo, as pessoas sao amigaveis, tem um monte de coisa pra fazer e culturas diferentes. Mas eu nao consigo me imaginar morando aqui, longe de todo mundo dai. Mesmo. Faz uma semana e pouco que eu vim e jah estou morrendo de saudades da minha casa, da minha familia, das minhas pequenas....Parece facil quando a gente ta aqui, por que as coisas vao acontrecendo e no fim do dia voce esta bem cansado pra pensar em alguma coisa... Voce simplesmente dorme. Mas as vezes, quando voce ouve a voz, quando voce ve pela web cam... Dah um aperto muito dificil de explicar.

GENTE! eu tenho que configurar esse teclado, peloamor. que aflicao que me da, tudo errado assim!

Bom, sobre passeios e afins... Ontem eu fui no Lacrosse game (mesma coisa de sempre, muito legal) e depois nos fomos no aniversario do Gabriel, em um bar no Downtown. Otimo. Enfim, milhares de brasileiros de novo, mas eu fiquei conversando com o Don e com Jacks, jah que eles eram os unicos canadenses e precisavam de companhia. =)

Hoje, pra comprar o computador, eu fui no Pacif Center, que eh na estacao do metro, mas eu nao conhecia. E depois, pro Metrotown, que eu jah tinha ido, mas nao de skytrain. E eh lindo, eu digo, o caminho, por que o trem nao eh na superficie e a cidade eh toda maravilhosa...

Acho que eh isso. Hoje era feriado, amanha eu tenho aula de novo, e jah sao 10 horas (jah eh tarde pra mim, tenho dormido cedissimo aqui)
Beijos... saudades.

sábado, 22 de maio de 2010

Beach and Queen Elisabeth Park

Post rápido, tenho que ir pro Lacrosse daqui a pouco!!!

Praia ontem com as meninas, só falando inglês, por causa da mexicana, MUITO frio. Tipo, absurdamente MUITO frio. Acho que na praia tava uns 9 graus, mas o problema é o vento, muito gelado. Minha mão tava congelaaaaaando. Depois a gente foi comer churros em um lugar que a Dani (mexicana) conhecia, muito bom. E quando a gente tava voltando pra casa, fez um sol animal. QUE raiva.

Depois eu vim pra casa, fui com a família no Queen Elisabeth Park, lindo. Nossa, muito lindo. Eu to sem o cabo pra descarregar as fotos, mas semana que vem eu vou no Metrotown, e compro lá. Mas enfim, eles tavam plantando umas coisas ainda, então ainda vai ficar melhor, e vou lá tirar mais fotos, por que eu só percebi que a minha camera estava comigo no final

Depois, eles chamaram uns amigos com os filhos pra jantar aqui. MEU DEUS! muita criança! Muito fofos. Fiquei brincando com eles, um tempão, eles pediram pra falar deles pros meus amigos brasileiros!
E uma coisa que eu só me toquei ontem!!! A Jay sempre me abraça, muito, e eu sempre dou um beijinho na cabeça dela. Ontem, a amiga dela perguntou: "Voce beijou ela????" Eu fiquei meio assim, tipo, foi na cebeça!!! E a Jay falou: "Ah, eles fazem assim no Brasil" fiquei com medo de sei lá, ela ou a mãe dela acharem ruim que eu fico beijando a cabeça dela.... Acho que não vou fazer mais =P


Ontem (e hoje) estão sendo os dias mais frios da minha vida. Eu sei, a temperatura não é tão baixa, mas tem muito vento, e o vento é gelado. Eu estava com 4 casacos ontem, duas calças, duas meias, o meu cachecol e com frio. Nem precisa dizer que as crianças estavam de bermuda e casaco, né?
Hoje tá mais melhorzinho, tipo, tem sol, mas eu to em casa e to com frio, o que é um mal sinal.
Enfim, veremos.

Hoje a noite tem a festa da Sônia. A Lisa e a Jaydn foram viajar, uma pena que eu não pude ir com elas... Enfim, estou só com o Don e o Jacks, aqui...

Beijos e queijos (Chubs, essa é pra você ;D)
TO BE CONTINUED.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Vancouver - days 5 and 6

Vamos la... novas aventuras.

Hum, o mais engracado dessas escolas de intercambio eh que todo mundo fica amigo muito rapido!!!! Enfim, a Marina (pauliusta japa) eh super legal e bom, acho que vamos sair juntas amanha e vamos pra praia na sexta com a Dani (Mexicana) e a Luanna, outra brasileira.
Sound good...
Nos iamos a Whistler esse fim de semana, acho que a Dani e a Luanna vao, mas eu e a Marina decidimos ir em outra data por que ela vai talvez viajar com a hostfamily e eu tenho festa no sabado (da Sonia) e no domingo, do Gabriel.
Gabriel eh um (outro) brasileiro, amigo da minha host family muito gente boa, que eu conheci ontem. Ele e a mulher, Clarice, moram aqui faz 9 meses e sao super hiper simpaticos, e ele super me ajudou no ingles. Eh tao bom conhecer gente legal e receptiva... Eles sao de fortaleza, e sao super legais. Falaram super bem da minha hostfamily, assim como eu falo o tempo todo.

Fora isso, acho que amanha vou no Metrotown fazer compras com a Marina e talvez a Dani, nao tenho certeza se a Dani vai. La, eu vou ver se tem o computador que eu quero e outras coisinhas que eu tenho que comprar, nada demais, por enquanto. Soh coisa pra ficar aqui, ainda... No final da viagem em faco as megas compras.

Eu estava conversando com a Lisa, contando da Alice e da Luiza, pra variar, e ela me disse que vai me mostrar otimas lojas de crainca. Ai eu falei: O meu unico medo eh gastar mais dinheiro com ela do que comigo!!!!! O que eh realmente um fato.

Foi mal o portugues, to na VEC, o teclado eh gringo. Eu ainda nao emburreci no portugues!!! Notem o AINDA.

GENTE! Brasileiro eh folgado pra caralho, heim? Puta merda. Estava eu aqui, escrevendo numa boa, tem umas pessoas estudando, outras conversando no skype, de repente... "Lelelelele, lah em casa, lelelele, na cama..." ALGUEM OUVINDO EXALTA em alto e bom som!!!!! Tipo, no MEIO do computer lab. Tipo, qual eh????
Eles devem AMAR brasileiros.... -.-


Acho que eh isso. Hoje eu almocei com as japas, por que ficar soh entre brasileiros eh chato. Sao legais, mas meio esquisitinhas. Ficaramespantadas quando eu disse que me curly hair era natural (aconteceu com voce, Lica?) As que eu conheci, jah estao aqui ha um bom tempo, entao tem um ingles quase que perfeito. Perguntaram se eu queria sair a noite com elas, e quando eu disse que nao podia por que tinha 18 foi quase um espanto. Elas sao muito velhas, e parecem novas, e enfim...Tem uma que eh a mais social e engracada, saca? E uma que eh mais fofinha e legal... Acho que eh sempre assim. Agora, eu nao tenho a MINIMA ideia do nome delas. Eu sei que uma chama Sam e a outra eu acho que eh Boile, mas eu nao tenho certeza. Algumas delas sao da minha sala, entao eh facil manter contato....

Thaaaat's it. Como sempre...
TO BE CONTINUED.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vancouver - days 1, 2, 3, 4

Bom, vamos lá... Um diário público de uma viagem que parece bem estranha pra mim...

Não vou falar dos primeiros dias, por que já foram, sabe... Então, sei lá... E também, é aquela coisa manjada tipo, "estou com medo" e "ah, como a familia é legal!" tipo, booooring.

Acho que vou começar com o Lacrosse game... O Jackson, (hostbrother) joga essa porra e nós fomos no campeonato. Sério, é tipo, bizaaaaarro. É como se fosse um Hoquei, mas é mais estranho... Eles tem umas redinhas e ficam passando a bola por ela, e a bola é pequena e quica... Eu to sem tempo pra colocar as fotos, so... google it. É engraçado! Nós fomos no sábado, e depois disso eu fui JANTAR na praia, que é absurdamente gostosa e maravilhosa. Tinha várias pessoas fazendo piquenique e na areia, tinha uns troncos pras pessoas sentarem. E tava de dia. Sim, parece estranho, mas aqui nós jantamos e dormimos de dia. I mean... o sol se põe as... 9 e meia!

Depoooooois, o dia mais engraçado da minha vida. Irish Dance Competition. (Sarah, pega essa) Google it too, por que eu não pude tirar fotos! GENTE!!! Eram umas crianças, com umas roupas tooodas cheias de brilhantes e de manga comprida e umas perucas de cachos GIGANTESCAS. E uns sapatos de sapateado, pulando e dançando com uma música que era um acordeon, O DIA TODO. Juro, eu entrei no saguão (onde as meninas tavam se arrumando) e na hora eu lembrei de pequena miss sunshine! Era IGUAL. As crianças todas produzidas e maquiadas, com os números na cintura correndo de um lado pro outro... E as perucas pra vender, e a música... E o mais engraçado é que a Jay (hostsister) parece mesmo a menina no pequena miss sunshine e ela não tinha peruca, nem nada... Tipo, muito igual. E ainda tinha as premiações, e as meninas subindo no podium com aquelas roupas e tirando fotos... A coisa mais engraçada da minha vida. Aí, na hora do almoço, nós descemos um andar.... Aí quando eu saí da escada rolante foi tipo : "Welcome to Japan" MILHOES de restaurantes japas e milhões de japas gritando e rindo e falando no telefone. Só tinha a gente de "normal" (pra irritar a paula) lá!!!!!! Estranhíssimo.
Bom, esse foi meu domingo inteeeiro. Ah, não, eu também fui pegar o Marcelo no aeroporto de noite (dia) e fomos comer sorvetes depois... um mega sorvete. E depois eu vi The Survivors com a família... é a versão original do No Limite! Nada demais...

Aí hoje, chegou o dia da aula... Achei que eu fosse ficar nervosa, mas nem fiquei... Foi legal. Só tinha japa e brasileiro. Tipo, só. Fazendo o teste comigo tinham... 4 brasileiros e uma mexicana... depois eram só japas. Ah, uma brasileira tinha os olhinhos puxados... Ela era de SP, claro =P
O teste era bem simples, mas eu errei milhões de coisas... Na prova oral, a mulher disse o que todo mundo diz: eu tenho uma boa pronuncia, falo com naturalidade, mas tenho problemas com gramática. Ainda não sei o nível que eu vou ficar, mas as aulas da manhã vão ser gramática e de tarde, redação. Eles explicaram sobre os passeios e eu devo ir ver a neve no oooutro fim de semana, já que nesse é feriado mas eu não vou poder ir por que tem a festa da Sonia. Quer dizer, eu ainda não sei se vou... Mãããe, eu posso????

Ah, e na volta, óbvio, senão não seria eu, eu me perdi. Hahaha, mas foi ótimo. Eu não me perdi taaanto assim e passei por vários lugares legais. Umas cafeterias, galerias de arte, cinemas... Bem legal o Downtown... Eu pensei que o esquema de ônibus e metrô fosse melhor, mas não é... É bem simples de pegar, mas demora um pouco... Na verdade, a questão é que a cidade inteira é MUITO simples e vazia.... Tipo, é pequena e pouca gente mora, e as quadras são quadradas e numeradas. Mas eu ainda tenho muuuito lugar pra conhecer. Muito parque, muito bairro (Chinatooown!) muita coisa.


Ainda tem a família, que não poderia ser melhor. Eles são muito educados, muito carinhosos, muito atenciosos. O Don, faz um trabalho maravilhoso. Ele é pastor de uma igreja pra Homeless (os mendigos daqui) na verdade, eles não são bem mendigos, por que eles ganham do governo o suficiente pra se sustentar e tem onde dormir também, o problema é que muitos são viciados em drogas e não conseguem sair dessa vida, além de ter muito preconceito. O Don era pastor de uma igreja imensa, mas aí as pessoas não deixavam os Homeless entrarem, aí ele criou essa. Depois eu mando o vídeo sobre, é absolutamente lindo. Eu quase chorei. Só não chorei por que era patético. E a Lisa trabalha com adoção :)


Acho que é isso pessoal...
beijos e saudades.
TO BE CONTINUED ;)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Aquele impulso parecia o maior erro de sua vida. "Não sei mergulhar de cabeça, não quero aprender, por quê, me submeti a isso? Não gosto de rezar para as coisas darem certo, não tenho fé o suficiente para deixar o destino ou qualquer coisa do gênero me levarem. Por quê eu mereceria uma vida feliz? Por quê?
O novo me amedronta, sim, e parece que nunca serei vacinada contra isso. Sempre o temerei, sempre vou querer desistir. Por que a vida aprontou isso comigo? Por que e pra quê tanta revira volta? Eu juro que estava bem do jeito que tava. Juro que sim.
E se aprendi, e sofri por isso, foi bom, sempre é. Mas meu corpo e mente já não suportam tudo isso.
Cansei, mas agora é tempo de ir e simplesmente esperar o melhor. Como sempre.

terça-feira, 16 de março de 2010


E que ao mesmo tempo que meu peito te pede, te chora, te falta; minha caebça te rejeita, te nega, te maltrada. Não há mais caminho nenhum a segir, ou combinado a fazer, mas no peito ainda chora uma dúvida, um temor. Uma vontade louca e repentina de viver tudo novamente. Do jeito que já foi. E esquecer de todo o resto. Meu outro lado te nega. Diz que não sinto saudade e sim falta da compania, da segurança. Meu outro lado não esquece da desconfiança, do medo, do louvor à liberdade. Ah, a liberdade. Seu eu pudesse ser livre assim, sem pensar, sem temer. Simplismente vivendo sem lembrar a cada gesto de ti. Simplismente vivendo como já vivi toda a minha vida. Sozinha. Mas é como se da solidão eu fugisse e corresse em direção ao erro. Tenho que colocar na minha cabeça que acabou. E acabou de vez. E que não há mais amizade, encontro, carinho, que supra a vontade de te ter. Acabou e ponto. E não há o que reviver, o que voltar atrás, o que desculpar. Se foi. Escorreu devar e cautelosamente. Se foi. Na minha mão a marca do que ficou. E pronto. Não há resquício ou oportunidade de voltar. Se foi. E na minha mão só ficaram cicatrizes, das quais não esquecerei, mas também não irei revivê-las. Tudo se foi. E não é que realmente tudo não passou de um sonho? Um sonho que começou maluco e terminou maluco. Mas agora eu abri os olhos, e este sonho não retorna. Se desfez na minha memória. Um sonho que vivi cada minuto, cada olhar, cada momento com intensidade, talvez por ter tanta certeza de que iria acabar, talvez por que sempre soube que muita coisa era ilusão. Pura ilusão que deixei para trás. E que agora hei de viver assim. Lembrando vagamente de um sonho que foi vivido intensamente. É, acordei. Acordamos e não podemos reviver nada do que se sonhou. Sonhos são assim. Se vão bruscamente e sem deixar resquícios. São invadidos por um susto, por um abrir de pálpebras. Acabam tão repentinamente quanto começaram. E dele, só me resta lembrar e saber que foi bom. É, sim, foi um sonho lindo. Daqueles que, por um momento, se acredita que são eternos. Mas não são. Enós acordamos, prontos para viver outros milhares de repentinos sonhos. Que serão sonhos lindos também. E em um destes, não acordaremos mais. Apenas viveremos e fim. Sabendo que este, sim, será eterno. E que, com certeza, não será o nosso.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sinto que tinha algo muito bom nas mãos. Mas isso escorreu, como água. E deixou de ser tão bom. Comecei a questionar-me e assim, isso perdeu o valor. Não tinha mais sentido, ter nas mãos restos do que me fez bem, algum dia. Mas a minha louca ansiedade e vontade de querer o bem, não me deixa outra alternativa a não ser querer recuperar o que escorreu. O que é impossível. E só será possível, se a coisa ajudar. Mas ela não sente que está indo embora. E que está perdendo o sentido.
Ela nem mesmo sente tudo que diz. Ela se sente em minhas mãos, confortável. Sente, sim, uma pequena diferença. Mas tão pequena, que não lhe dá a devida importância. Talvez não tenha mais solução. Talvez, sempre haja solução. Mas neste caso, prefiro tentar acreditar que a coisa não está escorrendo.
E então, houveram momentos na vida que foram feitos para parar. O que significaria parar? Parar de quê? Ela ainda estava ali. E quanto mais ficava parada, mais não conseguia enxergar nada a sua frente. Nem seu futuro, nem seu presente. Era tudo vazio. O que tinha significado? O que realmente importaria? Nada parecia se mover. O ar parecia estar pesado, sujo, lento. Tudo era preguiçosamente calculado.
A vida tornara aquilo assim. E então, como não acreditar em destino? O que mais a teria feito parar? Ainda não via motivos para isso. E não sabia o por quê de estar assim, há tanto tempo. Doía. Havia pensado demais. E não parava... de pensar. Já tinha chegado a conclusão de que pensar não fazia bem, mas mesmo assim a vida lhe programou isso. Parar e pensar. Doía.
E com tantas decepções, em um período longo, ela já não esperava ser feliz e sim ficar parada. Parecia uma merda de destino. Mas o destino lhe reservara isso.
Porra, por que mesmo que eu acreditei em destino?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

HE É incolor e inodoro. Tem o menor ponto de evaporação de todos os elementos químicos, e só pode ser solidificado sob pressões muito grandes. É o segundo elemento químico em abundância no universo.

LI
metal macio, de coloração branco-prateada, que se oxida rapidamente no ar ou na água. É um elemento sólido porém leve, condutor de calor.

O
é um gás a temperatura ambiente, incolor( azul em estado liquido e solido ), insípido, inodoro, comburente, não combustível e pouco solúvel em água. Representa aproximadamente 20% da composição da atmosfera terrestre.

Simplesmente a junção do gás Helio, com o Lítio e o Oxigênio. E no que mais poderia dar? Na explosão de cores, calor, sensações, prazeres, desprazeres? Talvez muito mais do que isso, ou muito menos.Ser Helio é ser sólido e ao mesmo tempo leve e condutor de calor. É ser incolor e ao mesmo tempo azul, ou branco-prateado. É ser abundante no universo, com sua criatividade, capacidade de multiplicar sabedoria.É ser a fórmula mágica da imaginação, da criatividade, do ar, do gás, do sólido, do liquido. É a mistura de todos os sentimentos do mundo, de todos os sentidos do mundo, de todos os sorrisos e lágrimas do mundo.
Ser Helio é simplesmente ser e aceitar. Em todas as formas, em qualquer língua ou expressão. É muito mais do que respeitar, é muito mais do que invadir, muito mais do que se pode imaginar. Voa, transcende, cresce, diminui, se torna mil em um, se torna um em mil. Se faz e desfaz a cada olhar, a cada movimento, a cada fase da lua, a cada década, a cada lugar do mundo.
Ser Oiticica é ser performático, poeta, conhecedor, é ser “antiarte por exelência”. É ser sólido como o Magic Square, ou maleável, macio, dançarino como o Parangolé. É ser penetrável. É ser tropical. É ser puro e ao mesmo tempo denso, cheio de energia, é transmitir sensações, é sentir e ser sentido. É tornar-se a obra, dançar junto com ela, ser ela. E qual outro artista lhe daria a opção de ser a obra? Se somos todos obras de Helio, somos muito mais do que podemos. Somos todos marginais, somos todos cores que brincam, somos mais. Ser mais! Ser Helio, então, é ser mais! Sempre mais! É ser capaz de crescer em qualquer situação, é não perder-se no caminho, é seguir o destino como lhe é imposto. É multiplicar-se em milhões de cabeças pensantes, é lembrança bonita, são olhos brilhando. Ser Helio é ser a mistura. É ser o marginal e ser o herói, ao mesmo tempo, do jeito que tiver que ser.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Agora, ela fitava o infinito.Com os olhos vermelhos e ardidos, ela via um mundo inexistente.No horizonte sem fim, ela se perdia, meio que procurando um fim em tudo.Espremida na varanda minúscula, ela via a sua pequenenisse perante ao invencível infinito.Em seus dedos, apertados, o cigarro teimava a queimar cada vez mais rápido.Ela ria muito, como se sentisse música dentro de si.Apesar de toda a dor e todo o medo, ela dançava lá no fundo.Seu coração esmagado não mentia.Ela era feliz.
Tão feliz, que duvidava que era possível.Quem olhava lá em baixo, teria a certeza de que fumava escondida.As unhas vermelhas, poderiam a tornar vulgar, mas só a tornava mais pura e enigmática.Vestida com o mini-shorts, biquíni e os cabelos presos, exprimida num varanda minúscula, só podia fumar escondida.

Ela fazia pose.Pose de fumante, pose de quem não era.Pose de alguém segura.Deve ser por isso que tinha as unhas vermelhas.Fingir não ser.Não ser, fingir.Seu corpo era tomado pelo desejo do proibido.Seu corpo era tomado por pessoas que não queria que o tomassem.Uma lágrima espessa escorreu pelo seu rosto e outro cigarro foi acendido, no mesmo segundo.Tirou lentamente o cigarro da boca e passou a língua pela lágrima escorrida.O sal da lágrima fazia sua boca arder, queimar.E a fumaça ardia em seu seco nariz, toda vez que tragava.Fazia tempo que não metia um desses na boca.Por um segundo sentiu nojo de si.Tanto nojo, que adorou isto!Riu da patética idéia de nunca ter sentido tanto nojo dela mesma. Riu de nunca ter se aceitado do jeito que era. Riu e ria. O vento teimava em bater forte em seus cabelos, que teimavam em ficar presos. A cinza do cigarro caiu sob seu pé, e ela sentiu a faísca queimando-lhe aos poucos.

A cidade estava muda. Só o vento que soprava forte, fazia algum ruído ali. A iluminação da cidade era linda. Toda meio alaranjada, no meio da escuridão. O céu não tinha uma estrela sequer, mas a lua cheia brilhava timidamente no céu escuro. Apagou o cigarro e jogou a gimba no maço vazio. Puxou rapidamente o Clorets do bolso justo do shorts jeans. Soltou os cabelos. Mascou o chiclete com a boca entreaberta, vulgarmente. Se sentou na pequena varanda, onde suas compridas e finas pernas nem cabiam direito. Se sentou e lamentou por não ter outro cigarro. Se tivesse, ela fumava o maço inteiro naqueles 10 minutos que tinha. Mas se contentou com o Clorets, que fazia sua boca arder, ácida. Sua língua começara a criar “bolinhas”, como que rejeitando. Fazia realmente muito tempo que não fumava... Se levantou rapidamente e se sentiu tão zonza que lhe deu a impressão de que iria cair, do sétimo andar. Era meio poético, até: “Mulher de unhas vermelhas se joga do sétimo andar e não deixa bilhete na cozinha.” Com certeza achariam que tinha sido suicídio. Como uma moça dessas, tão confusa e indigna, cairia por causa de uma simples tonteira?Perderia a poesia.

Tonteira não era poético, nem bonito. Assim como morrer de gripe. Poético é morrer estatelado no chão de piso frio do banheiro, poético é se matar sorrindo, poético é dar a vida por outro, poético era morrer com um maço de cigarros vazio nas mãos. Abriu o maço e lá jogou o chiclete. Colocou outro na boca, só para ter o prazer de morder a casquinha dura, só para sentir o gosto do novo. E sorriu. Um sorriso meio mudo, muito sem sentido. Mas era puro. Ela riu de novo, riu da sua babaquice. Coçou o nariz e sentiu o forte cheiro de cigarros na sua mão. Colocou os braços perto do nariz, para se certificar que lá, não cheirava. Não mesmo. Riu de sua imprudência e vulgaridade. Seria vulgar, ou pura demais?Ou insegura?Ou tímida?Sim, era muito tímida. Tinha medo de si, por isso se escondia na casca. Uma casca crocante, como a do chiclete. Colocou os chinelos no pé, meio desajeitada, abriu a porta de vidro. O quarto estava escuro. Tateou em cima da cama, procurando sua blusa. A vestiu. Foi até o grande espelho e sorriu para ele, conseguia para ver o branco dos dentes no reflexo da escuridão. Foi até o banheiro. Acendeu a luz rapidamente, fazendo os seus olhos arderem tanto, que se sentiu confortável com isto. Cuspiu o chiclete no lixo, ensaboou as mãos, escovou os dentes. Saiu caminhando pela casa, com os chinelos fazendo bastante barulho. Jogou o maço vazio dentro do armário, dentro da caixinha cor-de-rosa, com uma borboleta. Colocou um caderno em cima da caixa, fechou a porta do armário com brutalidade e foi até a cozinha, passar o café. Sorriu quando viu a maçaneta da porta retorcer, bem a sua frente, no mesmo minuto que se perguntou quantas colheres de pó colocaria. O homem robusto entrou pela cozinha, ela o olhou e ele disse: “Duas colheres e meia.” Ela dançou dentro de si, quando o viu ler seus pensamentos. Ele se aproximou, lhe deu um beijo no pescoço e adentrou a casa, com passos tímidos de quem não sabia para onde iria. Ela gargalhou por dentro e pensou “É tão ridículo,eu, com 7 anos de casada, ainda ter que me apertar em uma varanda imunda, para fumar um cigarro...”E ele apareceu na cozinha, sorrindo e dizendo: “Você ainda é uma menina, mesmo.”E aquilo não mais a incomodou, como em todos os outros dias de sua vida.